O Jogo

27 setembro, 2007

Tudo que peço a Deus é apenas uma chance de jogá-lo. Acho que quero esta chance desde o dia em que descobri que ele existia.

Outros o jogam há muito tempo; alguns não dão muita sorte, ou só andaram pelas casas erradas; outros parecem tirar os dados certos e avançam com incrível destreza; alguns poucos afortunados o vencem. Quanto a mim? Bem, me parece que ainda não chegou minha vez. Ou talvez ela tenha passado, sem que eu percebesse; talvez eu a tenha perdido, e mereça ficar inúmeras rodadas inativo. Ou talvez não nasci para jogar…

Apesar disso, não perco a esperança. Ou perco? Talvez uma esperança desesperançosa. Deus, alguns já fecharam o jogo e eu ainda estou na linha de saída. Como avançar? Depende de mim? Ou estou a mercê da sorte dos dados? As vezes ambas as opções determinam um único caminho: a estagnação. E me parece que esta me acomete, desde meus 11 ou 12 anos, momento em que tive meu primeiro contato com o jogo. Abençoada, maldita hora em que o conheci! Quantas tristezas, felicidades, tristezas e felicidades? Euforia e melancolia? Força, e fraqueza; ignorância, e sabedoria!

Já desejei não jogá-lo; já desejei jogá-lo. Acho que todos na minha situação assim pensam. Talvez, por desejá-lo, ele não venha; talvez, por não desejá-lo… ele não venha. Como fazer? Onde está o manual de instruções?

Talvez não seja culpa minha, afinal. Para nosso desespero, não é um jogo a ser jogado sozinho, nunca; dependerá sempre do par. Daí sai a maior dificuldade do jogo; o consenso. Como consentir? Somos dois, diferentes! Como jogá-lo juntos, sendo o jogo tão complicado, exigindo tanta… unidade? Deus, é difícil! Estaria eu apto para tal fácil, difícil tarefa? Talvez por isso minha vez não tenha chegado. Talvez não seja culpa minha, afinal.

Mas desespero-me. Se outros conseguem, por que não eu?! Então, a sábia voz interna, dentro de cada um de nós, me esclarece: o jogo difere para cada jogador. Que feliz seria eu, se houvesse um apanhado de procedimentos corretos a serem seguidos, para se chegar ao final do jogo são e salvo; alegre, feliz. Não existe. Temo.

Mas não desisto. Ainda peço a Deus para jogá-lo; ainda tenho esperança. Que venha o desafio que vier, ó Deus!, apenas ajude-me; mostrai-me, no jogo, um tabuleiro sob o qual eu possa avançar, sem medo.

Dai-me uma chance, ó Deus, apenas uma chance… de ingressar neste Jogo do Amor.

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Sim, texto de minha autoria. <3

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